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O Rakú consiste
em uma técnica de queima do vidrado em que as peças são retiradas do forno
ainda incandescentes, com uma pinça, e colocadas em um latão com serragem.
Cada peça sofre um choque térmico forte, causando craquelados e rachaduras
no esmalte assim como no barro. O resultado são peças com efeitos
peculiares, rústicos e belos.
A origem do Rakú é japonesa, datando de meados do século XVI. Naquela
época ele estava diretamente ligado à cerimônia chá: eram feitas taças e
utensílios exclusivamente para esta cerimônia. Fazer Rakú, naquele tempo
era um evento social.
Hoje o Rakú Contemporâneo sofreu adaptações e mudanças e pouco tem a ver
com a técnica original japonesa (onde a peça era retirada do forno e
resfriada diretamente na água).
Por exemplo, o Rakú já não se restringe mais à execução de peças
utilitárias (para o chá), deixando o artista mais livre para desenvolver
peças decorativas, escultórias, assim como criar peças peculiares e
diversificadas, dentro da rapidez e espontaneidade que a técnica permite.
Introduzimos também a técnica da redução na serragem, do esfumaçamento.
Mas apesar das mudanças, permanece inalterado o caráter festivo, alegre e
ao mesmo tempo questionador do Rakú. Este caráter questionador e
subversivo da técnica advém de sua época de origem, quando os artistas
japoneses questionavam o artesanato perfeito, com vidrados lisos e
imaculados da época. Os efeitos acidentais do processo da queima criam
objetos “imperfeitos”, mas também rústicos, simples e belos. A graça e a
beleza da queima Rakú, aliadas ao suspense e surpresa do fim da queima,
iludem o telespectador desavisado, dando a impressão de que tudo
simplesmente acontece... Não é bem assim, é necessário o domínio dos
materiais e das técnicas para obtermos um bom resultado. Mesmo assum,
sempre temos surpresas, uma peça nunca é igual à outra. Mas o que mais me
apaixona no Rakú é justamente esta incapacidade de controlar tudo, é o
efeito surpresa, o imprevisível, o impoderável.
Em meu atelier, procuro conciliar modernidade e tradição sem abrir mão da
festa e do cerimonial do Rakú. A cada dois meses faço um Rakú com meus
alunos. É uma grande festa, uma celebração da alegria e felicidade à saída
de cada peça do forno, afinal, a palavra Rakú provém do ideograma chinês
que engloba vários significados como profunda alegria, prazer, felicidade
e simplicidade.
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